XII Fórum Mineiro de Psicanálise







XII Fórum Mineiro de Psicanálise







Muriaé 2024

"Corpos, línguas e outras escritas"

Sobre o Fórum Mineiro de Psicanálise

O Fórum Mineiro de Psicanálise, desde sua origem em 1996, tem como objetivo construir espaços de interlocução em torno das questões relevantes para os psicanalistas e outros interessados. O tema da 1ª edição foi “O que se faz, quando se faz psicanálise?”. A cada edição do FMP uma cidade de Minas é escolhida como próximo ponto de encontro.

 

Em 2017 aconteceu em Belo Horizonte a 9ª edição com o tema “Dificuldades da Psicanálise”. No processo de organização deste evento foram criados os pré-fóruns: encontros de estudos preparatórios que circularam por várias cidades de Minas Gerais e, desde então, fazem parte das atividades que constituem cada edição.

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Em julho de 2019, a 10ª edição do FMP aconteceu em Divinópolis e teve como tema o “Ex-tranho: a Psicanálise @s voltas com Unheimliche”.

 

O 11º Fórum Mineiro de Psicanálise estava previsto para acontecer em julho de 2021 na cidade de Pouso Alegre. Todavia, em função da pandemia, decidiu-se, a partir das reuniões de organização, realizar nesse ano apenas os pré-fóruns, de forma online. Em 2022 essa edição aconteceu, também de forma online, com o tema “O sujeito na massa de Eus”, a partir do texto de Freud “Psicologia das Massas e a Análise do Eu”.

 

O 12º Fórum Mineiro de Psicanálise está em preparação, com previsão de acontecimento em julho de 2024, em Muriaé, retornando à modalidade de encontro presencial com o tema “Corpos, línguas e outras escritas”. Os textos de Freud: “As pulsões e seus destinos” e “Caminhos da terapia psicanalítica” foram escolhidos como referências fundamentais para essa edição. Assim a psicanálise continua a pulsar nas Gerais!


"Corpos, línguas e outras escritas"

O Fórum Mineiro de Psicanálise nos convida a falar. Essa invenção, sustentada há mais de 20 anos por psicanalistas e outros entusiastas em seus coletivos locais, é terreno fecundo para sonharmos com o compartilhamento de nossa prática, trabalhando na transmissão do fazer clínico. Esse sonho, impossível por princípio, funda um corpo, cria uma língua e escreve seu próprio percurso.

O lugar que serve de território para a 12ª edição do FMP é a cidade de Muriaé e seus arredores. Um ponto, múltiplo em si mesmo, na Zona da Mata mineira, cercada por montanhas, picos e vales. Encruzilhada de rodovias importantes para o escoamento de víveres e bugigangas, trânsito constante entre o frenesi urbano e o infinito rural. Nossa região é originariamente habitada pelo povo Puri, guerreiros ousados e nômades que resistiram bravamente a um violento processo de dominação capitaneado pelos interesses industriais e comerciais. A produção de café, a criação de gado de corte e leiteiro, as confecções de roupas, as instituições de educação, o varejo aquecido dos pequenos centros e os aparelhos de cuidado à saúde desenham uma história de conflitos, trabalho, calor e suor. O corpo, atravessado por múltiplas rodovias, sofre as deformações do tempo e do esforço repetitivo, e por vezes dança, canta, pinta, esculpe, representa e escrevem. Do corpo do trabalhador ao corpo social que o circunscreve, faremos uma leitura do que a psicanálise escreve nessa terra em diálogo com os outros territórios.


A língua que nos serve de código é à mineira. Recheada de papilas gustativas exigentes e criativas. Como prática de linguagem, uma língua é o que brota de um corpo e se enlaça com o outro. E mesmo sabendo que há um som que retumba de forma única na pele de cada corpo, a língua é dobradiça que faz a singularidade se insinuar com o universal. Além de um sistema fluido de códigos estabelecidos ao longo do tempo, a língua mineira, reinventada pelo som de cada um, vibra segundo suas próprias contingências e nutre a esperança de ser ouvida. A língua que chicoteia os desafetos, que faz sorrir as velhinhas na janela, que engana o povo com terras prometidas, às vezes declara o amor e a saudade com muita melodia. Ela é a ferramenta que o corpo falante, de um povo qualquer, manifesta sua diferença em relação ao mato alto que o cerca.


A escrita é vereda. Trilha. Picada. Rasgo na terra feito pela navalha do arado. De olho no terror dos cadernos de anotações de compras e vendas de pessoas escravizadas, no clamor dos rosários rabiscados para a rezinha, nas poesias e protestos sustentados nas praças, o Núcleo de Estudos Travessia funcionará como escrevente nesse encontro de psicanálise. Anotaremos o que da clínica se decanta como saber sobre a beleza da incompletude e a insistência do dizer. Convidamos você para tomar a palavra, a dose de café e o pedaço de queijo para escrever com a gente esse trecho do Fórum Mineiro. Mais do que repetir os fundamentos da prática, usaremos o entusiasmo para construirmos juntos esse capítulo da história da psicanálise em ato, presente, nas terras de Minas.

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Dois textos de Freud nos servem de ponto de partida para nossa aventura no campo da transmissão da psicanálise: As pulsões e seus destinos* como porta da cozinha para as discussões sobre o real do corpo e suas práticas linguageiras; e Caminhos da terapia psicanalítica** como terreiro de dança entre a clínica e a cidade. Dos corpos gozantes dos trabalhadores às suas práticas coletivas, conversaremos sobre os caminhos da pulsão que contornam os objetos impossíveis. O ponto de partida é o lugar do qual nos despedimos para uma travessia em direção ao que não podemos sequer esperar. Sejam muito bem vindes.


*Freud, S. (2017) As pulsões e seus destinos. In Obras Incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: Autêntica. (Obra original publicada em 1915).

**Freud, S. (2019) Caminhos da Terapia Psicanalítica. In Fundamentos da Clínica psicanalítica. Obras incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: Autêntica. (Obra original publicada em 1918). 


Comissões Organizadoras

CIENTÍFICA

Elizielly Martins
Jacqueline Pereira
Janilton Gabriel de Souza
Magali Milene Silva
Marília Alvarenga
Tereza Ramos
Thales Fonseca
Roberta Ecleide de O. Gomes Kelly
Silvana Mancini

CARTÉIS

Emiliane Antunes
Juliana Marçal
Marina Silveira
Silvana Mancini
Tereza Ramos

PRÉ-FÓRUNS

Bárbara Guatimosim
Fillipe Mesquita
Gisele Scarpone Salem
Hugo Silva Valente
Janaína S. Pereira
Marília Alvarenga
Scheherazade Paes

ESTÉTICA

Charlina Silva
Débora Garati
Gisele Scarpone Salem
Graziela Maria Mulano Dias
Jacqueline Pereira
Joice Hellen da Silva
Magali Milene Silva
Marina Reis
Natasha Souza
Sávio Theodoro
Vanessa Vasconcelos

MÍDIAS

Carmen Reis
Marina Reis
Luiz Antônio Araújo
Hugo Valente
Natalino Silva
Natasha Souza

LOGÍSTICA

Bárbara Morena
Gabriel Nery
Graziela Mulano Dias
Hugo Valente
Lidiane Paiva
Marina Reis
Natalino Silva
Paulo Sarapião
Thereza Ramos

COORDENAÇÃO

Débora Garati
Graziela Maria Mulano Dias
Hugo Silva Valente
Joice Hellen
Marina Reis


Movimentos Organizadores

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